Arte: Técnica e unção

Arte: Técnica e unção

“Para transmitir a mensagem que Cristo lhe confiou, a Igreja tem necessidade da arte. A arte possui uma capacidade muito própria de captar os diversos aspectos da mensagem, traduzindo-os em cores, formas, sons que estimulam a intuição de quem os vê e ouve.”

(Carta Papa aos Artistas 12)

A arte tem uma maneira muito própria de captar diversos aspectos e mensagens.

A Igreja precisa de arquitetos, porque tem a necessidade de espaços onde congregar o povo cristão. Imaginemos se não houvesse arquitetos para construir e através do seu dom construir as mais belas arquiteturas como Capelas, Santuários, que tanto nos fazem pensar em Deus.

O mundo aguarda a revelação dos filhos de Deus também através da arte e na arte.

Quem é o artista? Segundo o dicionário artista é:

1. Pessoa que pratica uma das belas-artes, especialmente uma das artes plásticas ou dos seus prolongamentos atuais.

2. Pessoa que interpreta uma obra musical, teatral, cinematográfica, coreográfica.

3. Pessoa que, dedicando-se a uma arte, se liberta das pressões burguesas.

4. Que tem ou exprime o sentimento da arte.

5. Que ama as artes, que tem gosto artístico, sentimento do belo.

Dentro da arte existem duas coisas que são muito importantes: técnica e unção.

Abrir na passagem de 1 Samuel 16, 1-13. Unção:

Nessa passagem vemos a unção de Davi, ele que era o menor, foi o escolhido, o ungido. Assim somos nós, muitas vezes os menores, os mais frágeis, mas aqueles de que o Senhor necessita para realizar uma grande obra. Unção: Separação, marca, selo de Deus, capacitação sobrenatural de Deus em nós. É a própria presença de Deus naquilo que fazemos para Ele.

A unção com o óleo também é significativo do Espírito Santo. Graças ao Batismo e a Crisma, já temos essa marca indelével (permanente) da unção.
Muitas pessoas cantam e dançam sem unção, sem essa marca, sem essa capacitação de Deus em nós, e isso realmente não produz vida, às vezes até emociona se tiver beleza e expressão, mas não produz nada de novo na nossa vida. A unção é o que diferenciará a nossa arte da arte do mundo. Precisamos de artistas que não apenas dancem bem, mas que sejam pessoas de oração, de espiritualidade, artistas que vivem uma vida sacramental regular. Isso fará a diferença na hora de tocarmos os corações.

A unção permite que Deus nos use e que a nossa arte tenha como que o Seu "carimbo", com a Sua assinatura abaixo daquilo que fazemos para Ele. Sem ela, nossa arte fica sem sentido, cheia de nós mesmos e, desta forma, não temos nada de bom para oferecer. Sem a unção a arte se torna vazia, é a unção que faz a arte ser viva e eficaz.

É necessário fazer aula, ensaiar, crescer, desenvolver e aprimorar a cada dia o seu conhecimento artístico, mas ter a consciência de que tudo isso, sem a presença de Deus, não faz a mínima diferença quando o objetivo é dançar para o Senhor na igreja.

Se o nosso trabalho fala de Deus e é para Ele, a unção é a nossa marca registrada e Deus se faz presente, se agrada, é o "Seu" selo sobre o nosso trabalho, porque esta é a única diferença entre a nossa arte e a arte do mundo.

Percebemos que, para termos uma coreografia dirigida por Deus, devemos ter unção. A unção é adquirida através de nosso relacionamento e intimidade com Deus.

1 Samuel 16,14-23
Nessa passagem vemos que Davi era reconhecido por muitos, pois sabia tocar bem, tinha técnica e habilidade ao tocar a lira. Imaginem se ele não investisse no seu dom? Para ele ser reconhecido como habilidoso, ele devia treinar muito. Deus havia dado-lhe o dom, mas ele também tratou de investir nesse dom. Em 1 Crônicas 25,7 vemos também que os cantores eram hábeis no seu tocar; e para isso se dedicavam à técnica.

Se naquela época já era assim, hoje maior é responsabilidade e dever de aprimorar o dom que Deus nos concedeu, quando foram desenvolvidas novas técnicas para cantar e tocar e quando a ciência da música é tão rica e abrangente! Se os cantores e os instrumentistas do mundo se esmeram horas a fio para aprimorar suas técnicas em favor apenas de si mesmos, quanto mais não devem os ministros de música ser instruídos e se aprimorarem a fim de se tornarem hábeis no ministério de tocar e cantar para o Seu Deus e Senhor! O Espírito Santo poderá utilizar-se melhor de pessoas bem treinadas e ungidas para louvarem Aquele que é digno de todo louvor.

Técnica é a prática, parte material de uma arte, é a rotina que nos aperfeiçoa para algo.

É importante que tenhamos em mente que Deus nos chamou e devemos dedicar tempo ao ministério ao qual fomos chamados. Além disso, é preciso rezar muito pedindo a unção do Espírito Santo, dedicar tempo ao estudo da técnica.

Disciplina é fundamental para o estudo da técnica. Os ensaios, em grupo ou individual, também são fundamentais para aprimorarmos ainda mais a nossa técnica. O ministério precisa, além de tempo de oração, ter tempo para ensaios, e estar disponível para eventuais ensaios extras.

Deus dá um talento, um dom para cada um de nós e precisamos fazer com que esses dons e talentos frutifiquem e multipliquem, pois, quanto mais investirmos no dom que Deus nos deu, mais estaremos contribuindo para que a arte toque o coração daqueles que precisam dela.

A nossa arte deve promover o resgate e restauração dela mesma, trazendo de volta os seus verdadeiros valores e propósitos para o qual foi criada, para isso precisamos ter o conhecimento dessa arte. Como iremos resgatar algo que desconhecemos? Deus criou a arte e viu que era boa!

O mais importante de tudo é que a técnica e a unção devem andar em equilíbrio. O artista precisa da unção, mas, ao mesmo tempo, precisa da técnica para que seu dom específico toque os corações.


Por: Milena Caliope

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