Ao ver o artista Deus me viu

Ao ver o artista Deus me viu

Ao ver o artista Deus me viu

 

O artista quando exercita seus dons, quando se encontra em um processo de criação, ali está como em um encontro consigo mesmo. Para o escritor, por exemplo, a caneta e o papel são no momento da escrita como que ouvintes do seu próprio ser. Durante essa conversa nasce a obra, que nada mais é do que uma parte do artista transformado em arte. Sobre isso nos fala São João Paulo II na Carta aos Artistas, que diz: “De fato, o artista, quando modela uma obra, exprime-se de tal modo a si mesmo que o resultado constitui um reflexo singular do próprio ser, daquilo que ele é e de como manifesta também a própria personalidade”.

Quando sua obra é consumida pelo público, o artista não tem controle dos impactos e de como ela será percebida. Há quem a veja apenas com o olhar técnico, outros talvez se conectem àquela arte por ela lhe remeter a uma experiência vivida. Mas quem irá absorver tudo que o artista colocou ali? Como decodificar o ser do artista por completo nessa obra? São João Paulo II expõe na Carta aos Artistas que “as obras de arte falam de seus autores, dão a conhecer o seu íntimo e revelam o contributo que eles oferecem à história da cultura”. Quem pode conhecer o artista ao ponto de enxergar o seu íntimo naquilo que lhe é mais profundo? Somente Deus pode adentrar nesse íntimo, que muitas vezes nem o próprio artista conhece.

E quando Deus lança seu olhar sobre aquela arte, não a vê com o olhar limitado do homem, mas com o de Criador, e acima de tudo com o olhar de Pai. De quem conhece e sabe de cada dor, lágrima, alegria sorriso e de todos os sentimentos que gerou aquele pedaço do artista em forma de arte. De quem vai além da obra e foca na essência. E como Pai cuida, abraça e entende as dores e as alegrias desse coração artista, oferecendo o seu como refúgio, fazendo assim com que esse filho entenda que a sua arte é uma via de amor que o leva a ele e que faz com que outros também tenham refúgio no seu Coração de Pai.

“Com efeito, toda a intuição artística autêntica ultrapassa o que os sentidos captam e, penetrando na realidade, esforça-se por interpretar o seu mistério escondido. Ela brota das profundezas da alma humana, lá onde a aspiração de dar um sentido à própria vida se une com a percepção fugaz da beleza e da unidade misteriosa das coisas.” (São João Paulo II).

 

 

Por Dyego Moraes, Membro da Comunidade Recado