Anunciação e advento: nos sinais Deus anuncia sua chegada

Anunciação e advento: nos sinais Deus anuncia sua chegada

“Tu vens, Tu vens

eu já escuto os teus sinais...”

 

O advento é um tempo de esperança e alegria, onde devemos estar atentos aos sinais de Deus que antecipam sua chegada. Assim como Maria recebeu com alegria a vinda do Salvador, recebamos com a alegria ao Deus Menino que anuncia sua vinda.

Deus sempre envia sinais que deixam marcas no nosso caminho, devemos estar atentos e dóceis à escuta destes sinais. Precisamos estar atentos e à escuta de Deus que vem a nós e se antecipa em sinais que anunciam sua chegada em nossa vida. Deus aproxima-se “sua transcendência não é indiferença, mas amor. A custódia da Palavra envolve então a correspondência do amor, no amor. Correspondência do homem à Deus.”[1]  O teólogo Bruno Forte nos diz que Deus é a “reciprocidade imediata que se apresenta no esplendor”, o auge da Beleza e misericórdia de Deus reveladas na vinda de seu Filho Jesus Cristo ao mundo.

O tempo do advento é uma grande pedagogia de espiritualidade que nos ensina a viver o tempo de espera, nos prepara para estarmos atentos e prontos a acolher os sinais de Deus que se revela constantemente em nossa vida. Por isso, que nosso coração esteja aberto à “maravilha fascinante, aberta e acolhedora ao advento, ao dizer-se de Deus”[2]. No advento somos convidados a acolher os sinais de Deus e ser sinal da presença Dele no mundo, na vivência da caridade, da fé e da esperança levando o sinal da luz de Cristo para todo aquele que encontrarmos no caminho.

O nascimento de Cristo nos foi dado como presença real e sinal da Glória de Deus no mundo. A escritura nos ensina que assim como os três pastores estiveram atentos aos sinais que anunciaram a chegada de Deus menino ao mundo, precisamos ser acolhida solícita e amável dos sinais de Deus -- Lucas 2:8-20 “ Havia nos arredores uns pastores, que vigiavam e guardavam seu rebanho nos campos durante as vigílias da noite. Um anjo do Senhor apareceu-lhes e a Glória do Senhor refulgiu ao redor deles(...) Depois que os anjos os deixaram e voltaram para o céu(...) foram com grande pressa e acharam Maria, José e o menino na manjedoura.(...) voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus.”[3]

Os sinais de Deus acontecem na simplicidade, devemos estar sensíveis e atentos. Nas vivências cotidianas e triviais Deus se mostra à nos, assim “As estrelas fulgurantes em uma noite profunda, podem evocar o mistério do Pai”[4] Deus Pai que está além das estrelas, e enviou seu Filho, como trasbordamento de sua Glória e revela sua Face no rosto de Cristo.

O tempo litúrgico do adento nos ensina a viver a vigilância, alegria e prontidão na espera, como apresenta a parábola das dez virgens: Mateus 25:1-13 “Tomando suas lâmpadas, as tolas não levaram óleo consigo. As prudentes, todavia, levaram de reserva vasos de óleo junto com a lâmpada.(...)No meio da noite ouviu-se um clamor: eis o esposo, ide-lhe ao encontro. E as virgens levantaram-se todas e prepararam suas lâmpadas”.  A vigilância e alegria na vida de oração e disposição do coração para acolher o Mistério nos prepara para perceber seus sinais e caminhar em direção ao que Deus nos aponta, assim, “às vezes, vemos os rastros de pés que passaram por esta areia e dizemos: por aqui passou alguém.(...) São os vestígios. Dessa maneira vamos descobrindo o mistério de Deus sobre a terra.”[5]

 Maria esteve sempre atenta aos sinais de Deus em sua vida, acolhendo com alegria, obediência e zelo. Precisamos estar atentos e caminhar na presença de Deus na fé e como Maria nos colocarmos à caminho para onde apontam estes sinais, na esperança alegre; sermos acolhida e adesão ao Mistério de Deus em nossas vidas. Deus sempre nos visita e em cada advento que nos proporciona vivenciar, Ele nasce e renasce em nossa vida de fé fazendo com que os reflexos dos sinais da luz divina irradiem profundamente em nossa alma, alcançando toda a nossa vida com a sua Glória.

Maria foi acolhida amorosa do Mistério, sempre atenta aos sinais de Deus e de sua vinda ao mundo, ela foi “aberta ao Eterno numa relação de reciprocidade viva e fecunda”[6]. Assim como ela se fez morada do Amor no mundo, assim também devemos estar atentos aos sinais Daquele que vem nos fazer morada do Amor de Deus. Em sua participação na história da salvação, Maria se fez terreno do advento de Deus no mundo, com sua escuta sempre atenta e acolhedora, por isso, a exemplo de Maria estejamos atentos aos sinais e nos façamos morada e lugar para o advento do Mistério inefável de Deus em nosso coração permitindo que seu advento em nós possa alcançar a vida de quem encontramos em nosso caminho, para que Sua luz resplandeça em seus corações e neles faça morada.


Michele Dias, vocacionada da Comunidade Recado


[1] Vincenzo Vitiello.

[2] Bruno Forte- À escuta do outro.

[3] Bíblia Ave-Maria.

[4] Frei Inácio Larrañaga- O silêncio de Maria.

[5] Frei Inácio Larrañaga- O silêncio de Maria.

[6] Bruno Forte- A História de Maria.