Amor sem retoques

Amor sem retoques

Observando as redes sociais e até mesmo “ao vivo”, é possível perceber que em tudo há um retoque, uma maquiagem, um programa de computador que arruma nossos pequenos defeitos. Quem já não se decepcionou ao saber que uma foto linda que vimos foi editada com um aplicativo? E aquela imagem maravilhosa do pôr do sol? Quase tudo hoje tem um filtro... Se isso tudo é bom? Claro que sim! Por vezes, esses recursos nos ajudam muito, nos tornam mais bonitos, tornam as imagens e as paisagens mais poéticas.

Mas, nem tudo na vida se resolve assim, não é? Maquiar com produtos de marca famosa o meu velho conhecido mau-humor; passar um editor de imagens no meu egoísmo; reverter minhas indelicadezas no falar e no agir com o corretor de texto. Porém, num primeiro momento, não é possível editar ou apagar a ferida que causamos no coração do irmão.

Quando vivemos em sociedade, nos deparamos com aquela pessoa que nos forma a todo o momento, porque minhas imperfeições se “enroscam” nas dela. E como é difícil perceber que aquilo que mais me irrita no outro é muito forte em mim mesma!

Tudo o que precisamos hoje não são as máscaras, mas a vivência concreta do amor em nossas atitudes cotidianas. É fácil? Não; assim como não é fácil começar a frequentar uma academia de ginástica, e dentro de pouco tempo é impossível ficar sem ela!

Já dizia um filme: “O amor é contagioso”.

Comecemos com pequenas ações diárias (não dá para começar os exercícios puxando 100 kg!): abra a porta para o seu colega, seja gentil, pegue um cafezinho para ele(a), dê um bom dia com um sorriso sincero. São nas coisas simples que nosso coração vai se abrir ao outro e farão com que o outro se abra a nós.

Nós somos orgulhosos e não queremos ir ao encontro do outro. Devemos sair do nosso comodismo, não importa “que eu tenha razão de ser assim”.

O Papa Francisco sempre nos alerta que devemos ir ao encontro dos irmãos, especialmente dos mais necessitados. E, nessa sociedade que vivemos hoje, a necessidade nem sempre é material: é necessidade humana de um toque, de uma palavra, de atenção.

Jesus nos pediu que amássemos uns aos outros e mais: que amássemos os nossos inimigos: “Eu, porém, vos digo: ‘Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem!’ (...) Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? (...) Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito”. (Mateus 5, 44-48)

Nos esbarrões da vida, as pedras brutas vão se lapidando. Vou me tornando maleável, convertendo meus pensamentos, sorrindo com o coração. O outro, quando percebe que não há fingimentos nem maquiagens em minhas ações, devolverá com juros e correção monetária aquele amor que depositamos dia a dia, mesmo que aqueles pequenos atos de amor, no início, tenham nos custado nosso orgulho e amor próprio.

Nossa sociedade está carente de um amor sem retoques. Precisamos, com urgência, de um amor puro, real e verdadeiro. Um amor que se expressa na abertura de coração; amor-doação; amor-sinceridade; amor das renúncias pessoais para que o outro viva. Um amor que seja capaz de curar a ferida que um dia causei no meu irmão.

Por: Sara Pimentel - Membro da Comunidade Recado

 

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