Aborto: uma questão de saúde pública, mas, acima de tudo, espiritual!

Aborto: uma questão de saúde pública, mas, acima de tudo, espiritual!

Em meio a um debate social que encontramos hoje, o coração inquietou para escrever sobre isso. A maioria das pessoas que convivo são cristãs, mas quando convidei algumas para conversamos sobre a descriminalização do aborto, fui pega de surpresa, muitas eram a favor.

“Jesus tinha menos de 3 meses no ventre de Maria, quando sua presença fez João Batista estremecer no seio de Isabel e a mesma ficou cheia do Espirito Santo!" (Lc 1, 56).

Todos que se posicionaram a favor eram professores do ensino superior. E isso me preocupou extremamente, pois sou professora da área da saúde e todo professor é formador de opiniões. Então, perguntei quais eram seus argumentos. E eles responderam que muitas mulheres morriam fazendo abortos clandestinos. As pobres realizavam de forma precária e as ricas em condições um pouco melhores, e isso era uma questão de política e saúde pública. Os argumentos parecem ser “legítimos”, mas o que mais me assustou é que essas pessoas dizem ser cristas católicas. Muitos têm esse discurso e se apoiam nisso para defender o aborto.

“Antes de eu nascer Yahweh me escolheu e convocou; desde o ventre de minha mãe ele pronunciou o meu nome” (Isaias 49,1).

Precisei, então, dar um pequeno ponto de luz sobre esse assunto vasto e complexo, afirmando que é incoerente que um cristão seja a favor do aborto. Primeiro, descriminalizar ou legalizar o aborto não é política de saúde pública, e sim, política de morte. Políticas de saúde pública são mais ginecologistas, maior agilidade para as consultas, agentes de família que ajudem em planejamento familiar, implantação de métodos naturais de controle de natalidade, conscientização desde o início da idade reprodutiva, acompanhamento psicólogos, informação acerca de possibilidades.

Um dos maiores e mais recentes estudos sobre o comportamento das gestantes brasileiras mostra que quase 50% das brasileiras engravidam sem planejando, isso demostra uma falta de cuidado. Portanto, boa parte desses abortos é fruto de um descuido particular e social. Ainda assim, não podemos modificar lei baseado em uma minoria, na conveniência ou na “ineficácia” de um método. A responsabilidade continua sendo do casal.

“Teus olhos viam meu embrião, e em teu livro foram registrados todos os meus dias; prefixados, antes mesmo que um só deles existisse!” (Sl 139,16).

Segundo ponto é que hoje o serviço público de saúde já atende de maneira defasada a população e o serviço que já é precário vai castigar ainda mais nossa população sofrida que realmente está doente, muitas vezes, padecendo nos corredores. As mulheres de baixa renda continuaram a padecer. Hoje esperam por uma simples mamografia por quase dois anos, o tempo que vão esperar pelo procedimento cirúrgico, o bebe já terá nascido. As mulheres ricas continuaram em sua clinicas chiques. Aborto nunca deixará de ser uma questão de transcendência. Portanto, quem paga a conta é toda a sociedade, e mais, desprovidos de voz, a população de baixa renda e os nascituros rejeitados.

“Antes mesmo de te formar no ventre materno, Eu te escolhi; antes que viesses ao mundo, Eu te separei e te designei para a missão” (Jr 1,5).

Ainda temos as doenças sexualmente transmissíveis que vão crescer exponencialmente, afinal, infelizmente o comportamento sexual da nossa população é extremamente promiscuo e despreocupado com doenças. Em termos práticos, isso não cuida das mulheres e não melhora a situação. Isso só legaliza um crime, mutila mulheres em sua essência do ser mãe e sobrecarrega e piora o caos da saúde pública. 

Poucos falam do número de mulheres que desenvolve depressão após abortos e outros transtornos, muitas delas precisam de acompanhamento psicológico para o resto da vida. O aborto não é a melhor saída para a mulher, muito menos para o bebê, e ela é a única que pode defendê-lo nesse momento. 

“Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça” (Gl 1,15)

Não podemos ser omissos diante dos paradoxos do mundo. Das ideias distorcidas que querem ser “implantadas” em nossas vidas a todo custo. Precisamos estar preparados para os debates da sociedade e nos informarmos sobre outras ideologias como o feminismo e as teorias da formação do sistema nervoso central, que apoiam o aborto.

Nosso querido papa Francisco convida os cristãos brasileiros a reagir!

 

Por Greicy Coelho, Membro da Comunidade Recado

 

 


Referencias

LAGO, T. D. G. Nascimentos não planejados no Brasil eram 46% em 2006. Diminuíram?. Rev. bras. estud. popil. vol.32 no.2 São Paulo May/Aug. 2015.

 

RODRIGUES, C. D. S.; LOPES, A. O. S. A Gravidez não planejada de mulheres atendidas no pré-natal das Unidades Básicas de Saúde. Id on Line Rev. Psic. V.10, N. 32. Nov-Dez/2016.

 

 

 

 

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