A vida comunitária e a Teoria dos Conjuntos

A vida comunitária e a Teoria dos Conjuntos

Você um dia deve ter se perguntado ou questionado: Por que e pra que inventaram a tal vida comunitária? Essa questão já passou pela minha cabeça e, perguntei-me ainda mais... Será que existe alguma relação entre a vida comunitária e a Teoria dos conjuntos?

O Catecismo da Igreja Católica nos diz o seguinte:

“A vocação da humanidade é manifestar a imagem de Deus e ser transformada à imagem do Filho único do Pai. Esta vocação reveste-se de uma forma pessoal, pois cada um é chamado a entrar na bem-aventurança divina. Mas diz também respeito ao conjunto da comunidade humana.

Todos os homens são chamados ao mesmo fim, que é o próprio Deus. Existe uma certa semelhança entre a unidade das pessoas divinas e a fraternidade que os homens devem instaurar entre si, na verdade e no amor. O amor ao próximo é inseparável do amor a Deus.

A pessoa humana tem necessidade da vida social. Esta não constitui para ela algo de acessório, mas uma exigência da sua natureza. Graças ao contato com os demais, ao serviço mútuo e ao diálogo com os seus irmãos, o homem desenvolve as suas capacidades, e assim responde à sua vocação.” (Cat 1877-1879)

Na vida comunitária do Antigo Testamento notamos que, ações sempre se davam por um grupo de pessoas lideradas por uma autoridade, que, por sua vez, comandavam de acordo com a vontade de Deus. Na comunidade não se pode fazer ou agir somente com interesses próprios, e sim pelo bem comum direcionado por Deus. Comunidade refere-se ao conjunto de pessoas que vive em um determinado lugar ou região, e que são ligadas por interesses comuns.

Taísa Salton, membro da comunidade Recado, deu-nos a entender em seu texto[1] que a beleza da vida comunitária está em saber, viver, compreender e respeitar que somos diferentes e que nos completamos. Assim, pode-se dizer que viver em comunidade é uma vida de serviço para o bem comum, ou seja, não faço o quero e quando quero, faço o que e quando precisam, sendo esta uma das respostas à vocação que Deus nos confiou.

Reflitamos também com a citação do Salmo 132,1: “Oh, como é bom, como é agradável para os irmãos unidos viverem juntos!”, e abstraímos deste versículo que todo caminho de santidade passa pelo outro, nosso irmão. E como podemos melhor fazer aquilo que precisam sem ultrapassar os “limites”? E é pensando nisso que a Teoria dos conjuntos da matemática pode nos ajudar.

A Teoria dos Conjuntos foi uma das mais notáveis inovações matemáticas iniciada em 1870 por Georg Cantor[2]. Esta é a teoria dedicada ao estudo da associação entre objetos, coleções de elementos com uma mesma propriedade.

Ainda sobre essa teoria temos também suas operações, e abordaremos as seguintes: interseção, união, diferença, está contido, contém, pertence, não pertence. Para melhor ilustrar as operações dessa teoria pensemos nos grupos existentes dentro da comunidade, ou seja, os ministérios.

Interseção: podemos dizer que é o ponto comum aos ministérios. E que ponto seria esse, tendo em vista que cada ministério tem seus dons específicos e jeito de ser? A priori, condensamos em salvar almas e glorificar a Deus. Pois, um dia nós tivemos uma experiência com o Cristo Ressuscitado, e queremos que outros possam tê-la também. Já nos disse Santa Terezinha do Menino Jesus “um só ato de amor nos fará conhecer melhor Jesus…”, e conhecendo-O não podemos ser omissos e tão pouco deixar de anunciá-Lo.

Diferença: são os pontos que não são comuns a todos. Podemos dizer que são os próprios ministérios com seus dons específicos, ou seja, cada um tem dons dados por Deus para melhor exercê-lo, conforme sua aptidão vocacional.

Pertence: com o autoconhecimento aceitaremos, praticaremos e viveremos os dons dado por Deus. Se Ele te deu o dom de tocar, cantar, dançar, interpretar ou encenar, poderá pertencer ao ministério das artes. E assim, segue os mesmos critérios para com a diversidade de dons dado por Deus. O dom dado por Deus é irrevogável, porém quando não exercitado, pertencendo ou não ao ministério é como uma musculatura “atrofia”. Então, exercite!

Não pertence: na matemática significa não fazer parte. E a analogia que se faz diante da vida comunitária é que em determinado ano vocacional a pessoa pode não pertencer àquele ministério. Então, não sejas orgulhoso e presunçoso em achar que aquilo que queres é melhor que o dado por Deus, possuidor da infinita sabedoria. E, sim “desperta, tu que dormes!” (Ef 5, 14b).

Contém: há pessoas distintas no jeito de ser, porém com características semelhantes quanto aos dons para o exercício da obra de Deus. Às vezes alguém é atraído por algum ministério ou comunidade, justamente, por ter afinidade que geralmente nem sabe que a tem. Deus tem esse jeito perfeito de atrair os seus. Pois, cada um de nós contém uma centelha de Deus que se encaixa em um determinado lugar na Igreja. E, aqui, mais uma vez se faz necessário o autoconhecimento para bem perceber e se aproximar dAquele que sempre está a nos chamar e esperar. Eis o carisma, uma forma de Deus convencer do nosso lugar na Igreja.

Está contido: é reconhecer que faz parte de algo, que está dentro do ceio de uma comunidade. É dizer que está aqui ou ali porque Deus sabe o melhor para cada um de nós. É estar dentro de algo muito maior.

União: é autoexplicativo. Comunhão, comum união, unidade. Para ser unido e viver em unidade é importante ser obediente à vontade de Deus. Ele nos chama, alegra, orienta e nos dá coragem e força.

Convém realçar que nosso Senhor nos concede “pastores” (que podem assumir diversos nomes diante de uma coordenação) que em Seu nome, e por ação do Espírito Santo, nos direcionam e ajudam a bem viver essas operações! E da mesma forma que Santo Agostinho nos diz que “os membros de Cristo estão unidos entre si pela caridade da unidade e por ela se unem à sua Cabeça, que é Cristo Jesus”, estes, que já tiveram uma experiência com o Espírito Santo, também nos proporcionarão um mergulho em águas mais profundas.

Por conseguinte, sejamos sensíveis à vontade de Deus, aos seus ensinamentos, ao seu chamado, pois certamente seremos felizes e completamente realizados. Lembrando que a vida comunitária tem suas exigências e que isto não seja um peso por toda a vida, e sim a certeza do chamado de Deus. O próprio Cristo disse que não seria fácil a vida daqueles que o queira seguir, entretanto, alcançarão a vida eterna.

E o que eu te desejo é que você queira está contido em uma comunidade que contém o amor de Deus, embora exista diferença de pensamentos, estamos em interseção no objetivo de propagar o Evangelho. Porque fostes separados deste mundo e assim não pertence a ele, mas pertence a Cristo que é o próprio corpo da Igreja e nós somos os membros. Portanto, a vossa união em comunidade seja em benefício de todos e para a glória de Deus.

 

Por André Freitas, Membro da Comunidade Recado

 

 

Referências

http://www.somatematica.com.br/biograf/cantor.php http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/matematica/teoria-dos-conjuntos.htm

http://www.fisicamariaines.com/conjuntos/TeorConj3/operaes_entre_conjuntos. html

http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/matematica/operacao-com-conjuntos.htm

https://comunidaderecado.com/formacao-det/viver-em-comunidade-e-uma-arte- abstrata/94/

http://www.psmleblon.com/component/content/article/1-latest-news/506-santo- agostinho-e-a-vida-comunitaria

http://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/salmos/132/

http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p3s1cap2_1877- 1948_po.html



[1] SALTON, Taísa. Viver em comunidade é uma arte abstrata? Disponível em:. Acesso em: 01.05.17.

[2] Georg Ferdinand Ludwig Philip, que se tornou conhecido como Georg Cantor, nasceu em São Petersburgo, na Rússia em 03 de março de 1845. E faleceu em 06 de janeiro de 1918 em Halle, Alemanha. Disponível em: <http://www.somatematica.com.br/biograf/cantor.php>. Acesso em: 15.04.17

 

 

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