A verdadeira conversão implica mudança

A verdadeira conversão implica mudança

“Jesus lhe respondeu: Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus” (Jo 3,3)

 

Nicodemos era um notável entre os judeus, um homem sábio, experimentado nas leis, contudo preso às crenças de seu tempo, o que lhe impedia de experimentar as coisas do céu (Jo 3,12). Ele pôde reconhecer que Jesus era alguém que vinha da parte de Deus, posto que as coisas que Jesus fazia só o poderiam ser feitas por alguém que estivesse na Companhia de Deus (Jo 3,2), mas Nicodemos ignorava tudo isso porque os pensamentos que lhe estavam entranhados eram pensamentos da “Terra” e não pensamentos do “Céu”, ou seja, suas crenças não lhe permitiam viver as propostas de Jesus Cristos.

Para que Nicodemos pudesse viver “novas coisas” ele precisava de “novos pensamento e novos comportamentos”, ou seja, ele precisava necessariamente “nascer de novo”, não retornando ao ventre, como sua ignorância reclamou, mas “nascer do Espírito” (Jo 3,6), adotar novos padrões de vida, uma vida abundantemente mergulhada no Espírito Santo. Muito provavelmente este homem foi forjado nos mais diversos sentimentos que determinaram suas crenças, sua visão sobre a vida.

Muito provavelmente Nicodemos chegou até Jesus Cristo cheio de sentimentos “tóxicos”, que o cegavam para uma visão espiritual. É bem provável, também, que muitos de nós estejamos envenenados por muitos sentimentos “tóxicos”, gerando tanto relacionamentos quanto pensamentos  “tóxicos”, que nos prendem cada vez mais às “coisas da carne” e nos afastando das “coisas espirituais”, nos tornando seres cada vez mais “viciados” neste padrão de vida envenenada.

O padrão de vida envenenada se espraia nas mais diversas áreas da nossa vida. Hoje percebemos comportamentos fundados nestes vícios: pais e filhos que não brigam, mas que também mal se falam, esposos insatisfeitos, incapazes de perceberem as preocupações ou sinais de pedido de socorro do outro, colegas de trabalho que só trocam um “bom dia” e um “até logo”, amigos que resumiram seus diálogos às redes sociais, intolerância para com o diferente.

E estes padrões “tóxicos” invadiram nossas Igrejas e Comunidades: fofocas, elevado sentimento de insatisfação, murmurações, indiferenças nos relacionamentos interpessoais, exigências para que outros se comportem dentro de padrões estabelecidos como corretos. São atitudes disformes, pensamentos distorcidos e que vêm de pessoas não incultas, mas daquelas que já possuem longos anos de caminhada, mas que são incapazes de refazerem suas crenças.

Conhecimento nos dá liberdade, quando temos conhecimento nos tornamos livres, mas e porque estamos tão presos à estes padrões, à estes vícios? Porque mesmo conhecendo a Palavra de Deus continuamos encarcerados? Por causa dos “sentimentos”, porque não colocamos o conhecimento em prática.

Face tudo isso, queremos lhe contar um segredo: o problema não está nos outros, que fazem ou deixaram de fazer algo, que executam as atividades bem ou mal, o problema está em você. Será que não lhe falta nascer da água e do espírito (Jo 3)?

Nossa sugestão é que primeiro você creia que Jesus Cristo é justo, bom e fiel e a consequência disto é que se estamos nos caminhos do Cristo, tudo o que nos acontece concorre para o bem dos que creem no Senhor, até aqui nenhuma novidade. Cultive na sua vida estas características de Jesus, repita reiteradas vezes isso para você mesmo. Caso pensamentos e sentimentos “tóxicos” lhe assalte, repita para você mesmo estas características, até que os pensamentos e sentimentos se esvaiam.

Outra sugestão que gostaria de nos valermos são os passos sugeridos por Paulo Vieira, escritor cearense, no livro O Poder da Ação, que ao tratar da questão da Autorresponsabilidade, propõe seis práticas linguísticas e comportamentais, capazes de transformar os hábitos diários, quais sejam: 1º. Se é para criticar (os outros), cale-se; 2º. Se é para reclamar, dê sugestão; 3º. Se é para buscar culpados, busque soluções; 4º. Se é para se fazer de vítima, faça-se de vencedor; 5º. Se é para justificar seus erros, aprenda com eles e 6º. Se é para julgar as pessoas, julgue suas atitudes.

No presente texto, buscou-se dar maior ênfase a necessária mudança que precisamos realizar em nossas vidas para iniciarmos o processo de verdadeira conversão. Reclamar é um vício linguístico comportamental, uma comunicação negativa, destruidora e maldita. Literal e espiritualmente maldita. A Bíblia nos diz que: “não façais como alguns que reclamaram e murmuraram, porque estes já foram destruídos pelas mãos do próprio Diabo” (1 Cor 10, 10).

Não falamos em sermos coniventes com situações que nos parecem desconfortáveis, fala-se em primeiro cada um cumprir o seu papel, curar-se primeiro, ser prático, sair da Teoria. Olhemos primeiro para as necessárias conversões que precisamos efetivar na nossa vida – a parte que nos cabe – para só então pensarmos nas mudanças (conversões) que esperamos dos outros.

Concluo com uma passagem de Filipenses 4,8, que diz: Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento. Este versículo fala da necessidade que nós cristãos temos de ocupar nossos pensamentos somente com aquilo que glorifica ao Senhor. Não há como impedir que os maus pensamentos nos assaltem, mas podemos repreendê-los. Há um ditado popular que diz: um pássaro pode até pousar em nossas cabeças, mas só faz ninho se deixarmos.

Quem é Cristão não pode ser refém dos seus pensamentos, dos seus sentimentos, não pode ser incoerente.

Quanto mais a gente louva, mais coisas boas acontecem.

 

Por Liano Levy A. G. Vieira, Membro Compromissado da Comunidade Recado.

Foto por NDPetitt.


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