A Sagrada Família

A Sagrada Família

“E encontraram Maria, José e o recém-nascido deitado na manjedoura” (Lc 2, 16) [1]

 

A família acompanha os caminhos do homem desde o seu nascimento. Quando nascemos, cada um de nós faz parte de um seio familiar único e irrepetível, como bem nos lembrou São João Paulo II, na Carta às Famílias, ao dizer que a família é uma via comum, única e irrepetível, da qual o ser humano não pode separar-se.

Foi através, também, da família que o Filho Unigênito, consubstancial ao Pai, entrou no mundo e, por tão supremo mistério, a salvação. Deus escolheu a família de Nazaré, na sua pobreza e simplicidade, para nascer e crescer. Por isso, o mistério divino da Encarnação do Verbo está em estreita relação com a família (CF, 1994) [2].

            O Concílio Vaticano II nos lembra que, ao se encarnar, “Jesus se uniu de certo modo com cada homem” [2] e, ao nos encontrarmos Jesus, unimos nossas famílias à família de Nazaré.

            A família exerce um papel servil, não apenas na Igreja, mas também na sociedade, em suas obrigações civis. Esse papel está intimamente ligado à imitação do próprio Cristo, que “veio ao mundo para servir” (Mt 20, 28) [1]. Podemos perceber quão importante é essa instituição na maturidade humana. O Evangelho nos traz a figura da família de Jesus em seu crescimento: “Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso. (...) e crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens” (Lc 2, 51a-52) [1]. Observe que a exemplo da família de Jesus, nossas famílias são fundamentais para alcançarmos um crescimento humano e espiritual. O Evangelho não separa a importância da família, mas a reafirma como instituição fundamental para o crescimento saudável, a educação e a espiritualidade da pessoa humana.

            Um termo bastante empregado atualmente quando se fala em famílias cristãs é “Igreja Doméstica”. Quanta riqueza podemos encontrar nesta definição de família! Como Igreja Doméstica, a família tem a obrigação de nos aproximar do Cristo através, principalmente da oração. Mas não é só isso, ao enxergarmos a família como Igreja, também enxergamos a Igreja como uma numerosa família, onde todos somos filhos e filhas de Deus e irmão e irmãs que devem se amar mutuamente e serem solícitos uns aos outros.

            Ao encontrar “Maria, José e o recém-nascido deitado na manjedoura” (Lc 2, 16) [1] tal qual os pastores, que possamos ser família, ser Igreja Doméstica, ouvir a voz de Deus e guarda-la em nosso coração, tal como Maria que “conservava cuidadosamente todos os acontecimentos e os meditava em seu coração” (Lc 2, 19) [1].

            Por fim, vejamos a exortação aos filhos, retirada do Antigo Testamento: “honra teu pai de todo coração e não esqueças as dores de tua mãe. Lembra-se que foste gerado por eles” (Eclo, 7, 27-28) [1]. Que possamos imitar a Sagrada Família, em modelo de vida e oração.

 

A paz do Menino Jesus repouse sobre ti!

 

Marcio Avelino de Medeiros

Vocacionado da Comunidade Recado

 

Fontes consultadas:

[1] Bíblia de Jerusalém

[2] Carta do Papa João Paulo II às famílias (1994)