A beleza da vocação artística

A beleza da vocação artística

A beleza da vocação artística

A Igreja nos ensina, no livro do Gênesis, que o homem foi criado a imagem e semelhança de Deus. O parágrafo 2501 do Catecismo da Igreja Católica (Cat) ressalta o sentido “Criado à imagem de Deus” através da verdade na relação do homem com Deus e que se expressa na beleza de suas obras artísticas. “A arte de fato é uma forma de expressão propriamente humana; acima da procura das necessidades vitais, comum a todas as criaturas vivas, ela é uma superabundância gratuita da riqueza interior do ser humano. Nascendo de um talento dado pelo Criador e do esforço do próprio homem, a arte é uma forma de sabedoria prática, que une conhecimento e perícia para dar forma à verdade de uma realidade na linguagem acessível à vista e ao ouvido. A arte inclui certa semelhança com a atividade de Deus na criação, na medida em que se inspira na verdade e no amor das criaturas. Como qualquer outra atividade humana, a arte não tem um fim absoluto em si mesma, mas é ordenada e enobrecida pelo fim último do homem.” Vemos que a arte é um dom dado por Deus ao homem, e Deus, sendo a beleza suprema, faz com que o homem transborde essa beleza através da sua vocação artística. É importante lembrar que a essência da nossa arte deve estar naquele que é o maior de todos os artistas: Deus!

O São João Paulo II diz na sua carta aos artistas a seguinte frase: “a Igreja está especialmente interessada no diálogo com a arte”¹ ou seja, a Igreja hoje leva muito a sério as expressões artísticas, porque a arte revela a beleza daquilo que é eterno, expressão da essência interior de Deus no homem.

A arte tem o poder de tornar a vida mais leve e bela. Os artistas são as pessoas que ouviram esse chamado de Deus e buscam no seu dia a dia, através da sua sensibilidade, nos tirar dos momentos de tristeza e solidão, nos proporcionando alegria e leveza. Inspirações que levam o outro a viver uma experiência com Deus. Ás vezes, o artista não consegue expressar-se na linguagem verbal, por isso através de uma vida de oração ele busca em seu interior propagar a sensibilidade da arte. A arte expressa a linguagem da beleza, a beleza do Coração de Deus.

“Vivendo e agindo é que o homem estabelece a sua relação com o ser, a verdade e o bem. O artista vive numa relação peculiar com a beleza. Pode-se dizer, com profunda verdade, que a beleza é a vocação a que o Criador o chamou com o dom do « talento artístico ». E também este é, certamente, um talento que, na linha da parábola evangélica dos talentos (cf. Mt 25,14-30), se deve pôr a render.”²  Certamente, a vocação artística é um dom e isso já é uma contemplação daquilo que é belo. Portanto, na parábola dos talentos, Deus pede para que todos os artistas se coloquem a disposição para servir o outro, de forma que seu talento artístico gere fruto no outro, para que as almas também conheçam a beleza de Deus e se aproximem dele.

Existem diversas expressões artísticas, como poesia, escrita, pintura, escultura, arquitetura, música, balé, atuação etc.. E é através dessas artes que conseguiremos, na maior parte das vezes, convencer às pessoas da beleza de Deus. Por isso, é necessário que nos esforcemos para aprimorar nossos talentos, pois, quanto mais belo for, mais os olhares serão atraídos para o Maior Artista.

Por fim, é necessário lembrar que nem todos têm chamado à criação artística, mas todos os homens são chamados a viver a dimensão do belo, pois Deus é a beleza e espera de nós uma vida bela. Àqueles que têm vocação artística é preciso dizer que a primeira verdadeira obra de arte que deve ser feita não é somente a escultura, a música, a poesia etc., mas a própria vida. A vida deve ser uma expressão de beleza, expressão da essência de Deus.

 

Por Rafaela Cassimiro, Membro da Comunidade Recado

 

Referências

1.     Carta aos artistas 10.

2.     Carta aos artistas 3.

3.     Disponível em: . Acesso em: 7 ago 2017.

4.     Disponível em: . Acesso em: 7 ago 2017.