A arte de olhar: “ Só se vê bem se pusermos o coração no olhar, para que o essencial não se torne invisível aos olhos.”

A arte de olhar: “ Só se vê bem se pusermos o coração no olhar, para que o essencial não se torne invisível aos olhos.”

Quando acordamos, a primeira coisa que fazemos é abrir os olhos e, através da visão, estabelecer nosso lugar no espaço do mundo, nos situar e localizar. Mas, às vezes, vemos e não enxergamos. Essa diferença se dá porque o ver, por si só, é fisiológico, material e objetivo. Já o olhar é mais antropológico, existencial e subjetivo, entrando na esfera da sensibilidade. O ver sem o olhar é pobre e fulgaz, pois se limita ao visível, aquilo que naturalmente se vê e o olhar é cheio de significados e sentimentos.

O olhar intervém, penetra, cuida, convida, acolhe, cultiva, purifica, perdoa, revela, humaniza, atrai, é então, “janela da alma e espelho do mundo”. Os amantes sabem muito bem disso. Como diz Adélia Prado, uma escritora brasileira: “Quando a gente está apaixonado, quando a gente experimenta a paixão, você quer segurar a pessoa e falar: "Fica na minha frente para eu te olhar...". Não precisa nem casar, é só olhar, é só olhar..."

A habilidade nessa arte consiste, então, em primeiro deixar-se ser olhado constantemente pelo olhar rico e fulguroso de Deus, que também deseja ser olhado por nós, para, a partir dessa experiência de amor, saber demorar o olhar, saber fixá-lo, “saber falar com o olhar e saber, através dos olhos, ressuscitar os vivos, e observar nos outros o próprio Cristo”.


Por: Waleska Bezerra

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