5 perguntas que vão determinar se seu teatro é evangelizador

5 perguntas que vão determinar se seu teatro é evangelizador

Um dos grandes desafios do teatro cristão é se manter em uma posição que os trabalhos não percam o seu caráter evangelizador. Para isso é importante sempre estar se avaliando para que não se perca o foco em Deus. Os questionamentos lançados nesse texto pretendem servir de ajuda para esse exercício de avaliação do ministério.

A primeira pergunta a se fazer é a mais importante: como está a espiritualidade no meu ministério? Os ministérios artísticos são sustentados por duas colunas, a espiritualidade e a técnica, e o ministério de teatro não foge a essa regra. Ambas são importantes e não podem ser abandonadas por nenhum motivo. No que se refere à espiritualidade, os ministérios não podem prescindir de momentos em que rezam juntos e momentos de oração pessoal. Retiros, vida sacramental, adorações, pregações com temas voltados à espiritualidade são fundamentais para que não se perca o espírito de oração. Uma reunião de ministério artístico não pode ser realizada à semelhança de um grupo de oração, isto é, com todo o tempo de oração e temas que um grupo oferece. Em outras palavras, reza-se menos em uma reunião de ministério, que deve funcionar como um complemento ao grupo de oração. Contudo, isso não deve servir como desculpa para que a vida de oração desapareça ou seja insuficiente.

A segunda pergunta deriva da primeira. Como está a unidade no seu ministério? É verdade que o trabalho de evangelização com o teatro é algo desafiador e que conflitos possam surgir, mas a postura em relação a esses conflitos deve ser sempre para que a unidade não se perca. Unidade com as autoridades da comunidade ou do grupo de oração e unidade entre os membros do ministério. Ninguém deve ser maior ou menor. Ninguém deve ser favorecido por razões pessoais. O ministério deve ser um grupo, um corpo, uma unidade. Não se pode permitir desuniões, brigas ou irmãos que não se falam.

O tema da unidade também está associado a outra pergunta. Como está a obediência do meu ministério com relação às autoridades constituídas? Ao se buscar a evangelização por meio de um ministério de teatro está necessariamente implicado que isso é um projeto que não se faz sozinho. Fazemos em grupo, em unidade, mas fazemos também juntos a uma comunidade ou grupo de oração. Isso significa que precisamos estar abertos a superar as demoras e as diferenças de pensamento. Sempre e em qualquer circunstância somos convidados à experiência da obediência quando momentos de diferença se estabelecem na comunidade. Caminhar juntos é sinônimo de ajustarmos as velocidades para que ninguém chegue primeiro ou se perca no caminho. Lembrando que se trata de uma obediência dialogada, mas ainda sim obediência em última instância.

Quem é o público que assiste minhas peças de teatro? É importante estar atento para que o ministério não esteja se apresentando sempre para as mesmas pessoas. Precisamos atingir o maior número possível de pessoas com o Evangelho. Em especial, precisamos repensar se estamos nos apresentando somente para os irmãos que já participam do grupo ou comunidade. Não que essas pessoas não precisem ser evangelizadas, mas a evangelização não pode ficar restrita somente a um determinado segmento de pessoas. Precisamos suplicar que o Espírito Santo venha ungir nossa criatividade para descobrirmos novas formas de levarmos nossa arte ao povo.

Por fim chegamos a nossa última, mas não menos importante, pergunta a respeito do caráter evangelizador de nosso teatro. Quais são os temas que abordo em minhas peças de teatro? Fazer um teatro que evangeliza é aceitar que não podemos trabalhar com qualquer tema para uma peça de teatro. Os temas e assuntos precisam levar as pessoas a ter algum tipo de experiência com Deus e seus ensinamentos. Claro que temos a possibilidade de sermos criativos na forma de levar a mensagem até o público, mas a mensagem não pode ser outra que o Evangelho e seus desdobramentos.

As cinco perguntas que trouxemos aqui não são as únicas que se podem fazer para discernir a realização ou não da evangelização. Outras perguntas podem ser formuladas de outras formas. Mas elas servem para responder à questão: meu teatro é por Deus e para Deus? Boas reflexões!

 

Por Leonardo Falconeri, Membro Compromissado da Comunidade Recado.

 

 

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